De coração


Inevitável, hoje, depois de ouvir que eu, supostamente, tenho coração de pedra, não lembrar esse trecho de Coração Selvagem, do Belchior: "Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar, que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar". O tempo, para os assumidamente insaciáveis como eu, sempre é pouco. E é precioso. Por isso eu não gosto das coisas aos pedaços. Gosto do inteiro. "O infinito de um momento rápido", como na canção da Zélia Duncan, não me sustenta. Para alguns é defeito, bem sei, mas é o meu jeito. Ambição? Avidez? Nunca me preocupei em descobrir. Mas para mim tem que ser assim. Com todo o tempo do mundo, e sentindo tudo. Não tem segredo. Meu coração não é de pedra, ele é de nuvem. É livre e é infinitamente lindo.

Drama dinamarquês


Por indicação de um amigo, assisti ontem ao filme dinamarquês Brothers, no idioma original Brode. Confesso não me lembrar de ter visto outra produção cinematográfica dinamarquesa até então, e talvez por tal motivo minha expectativa fosse maior. Ou quem sabe o meu ascendente em Virgem não me poupe mesmo desta meticulosidade que a alguns tanto incomoda. É possível que o filme agrade à maioria. Mas, enfim, é o meu (des)gosto. E, quanto a gostos, eu já bem disse, cada um por si é o melhor caminho. A história se foca nas mudanças ocorridas no relacionamento de uma família após o retorno de Michael (Ulrich Thomsen), prisioneiro de guerra no Afeganistão. O filme ganhou o Prêmio do Público - Drama, no Sundance Film Festival e de Melhor Ator (Ulrich Thomsen) e Melhor Atriz (Connie Nielsen), no Festival de San Sebastián. Entretanto, a meu ver, deixou a desejar na narrativa e na inovação. Gosto de sair da mesmice dos filmes americanos justamente para entrar no outro lado, mais próximo da realidade, mais humano, menos fantasioso. Mas, uma pena, não fosse o sotaque dinamarquês, a mim parecia estar frente a um roteiro hollywoodiano. Final previsível e enredo nada chamativo. Embora não se trate de um filme de guerra, os conflitos no Afeganistão poderiam ter sido melhor explorados, mostrando a cruel realidade que assola o país, bem como o drama pessoal dos prisioneiros e das famílias daqueles. Para os que não curtem o gênero, aviso que o filme é pesado, não no sentido de violento, mas no de não dar espaço a qualquer momento de descontração nos seus cento e dez minutos de duração. Vale pela interpretação da pequena Sarah Juel Werner, no papel da filha do casal. E, claro, ainda é bem melhor do que a programação da TV aberta em uma noite fria de quarta-feira.

Ficha Técnica
Título Original: Brode
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento (Dinamarca): 2004
Estúdio: Two Brothers Ltd. / Zentropa Entertainments
Distribuição: Focus Features
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Anders Thomas Jensen, baseado em estória de Susanne Bier
Produção: Peter Aalbaek Jensen e Sisse Graum Olsen
Música: Johan Söderqvist
Fotografia: Morten Soborg
Desenho de Produção: Viggo Bentzon
Figurino: Lene Ejlersen
Edição: Pernille Bech Christensen e Adam Nielsen

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As palavras dos poetas têm o dom de aliviar o coração, sempre. Um bálsamo para a alma. É isto. Ainda bem que temos a arte. A verdade, e isso é Nietzsche puro, certamente nos destruiria.

"Sentimos saudade de certos momentos da nossa vida e de certos momentos de pessoas que passaram por ela." Carlos Drummond de Andrade

Semana que começa... Saudade que fica...

Nietzsche, grande Nietzsche!



Nietzsche sempre foi meu filósofo preferido. De Zaratustras e Super-Homens a Espíritos Livres. Confesso, porém, que não recordava esta frase, a qual, atráves de uma encantadora voz, chegou hoje aos meus ouvidos: Quanto mais inteligente a mulher, tanto mais se afasta o homem.
Grata, muito grata, pela recordação.

Sonhos felinos nesta noite gelada de domingo.
A previsão diz que tempos melhores virão... Bem, às vezes ela acerta.