Caro Cupido*



Estariam os Cupidos em férias coletivas? Pois tenho ouvido constantes reclamações, tanto da ala feminina quanto da masculina, sobre as dificuldades em encontrar um relacionamento que valha a pena. E, por favor, estou falando de relacionamento, não das derivações intermináveis como "rolos", "chamegos", "ficadas". Talvez, como um servidor exemplar do Olimpo, o meu, ao menos, tenha recebido de Zeus alguma licença remunerada e esteja revoando algum lugar com menos chuva e frio do que a Capital gaúcha. Quem sabe esteja fazendo a rota da Costa Amalfitana, o loirinho deus grego do amor. Sem reclamações. Torna-se mais emocionante disparar flechas certeiras em mortais lépidos e faceiros com as belezas de um lugar paradisíaco do que em seres terrenos nada dispostos a colocar o nariz para fora de casa em uma noite como a de hoje: congelante. Mas não custa mandar um recadinho para os céus. Afinal, toda a tentativa é válida. Assim: “Caro Cupido, sem a pretensão de tirá-lo do descanso sereno do paraíso, regado a néctar, e rodeado por Musas e Ninfas, gostaria de que, se possível, fosse atendido o meu pedido (aquele que fiz há algum tempo, e que deve estar enrolado num papelzinho cor de rosa, em alguma ponta das suas setas mais antigas). Ocorre que, caro deus do amor, as coisas por aqui estão complicadas. Aqueles seres chamados homens estão todos voltando à infância. Deve haver algum problema ainda não identificado pela Medicina na relação idade x maturidade, pois eles não evoluem mais. Pararam na fase adolescente, estejam com vinte, trinta ou quarenta anos. Creio que seus cachos dourados iriam ficar arrepiados com a situação, caso o senhor passasse alguns dias aqui na Terra. Entretanto, sei que não há motivo para pânico (talvez um pouco de receio apenas), uma vez que o seu trabalho é justamente o de fazer as coisas darem certo. Assim, espero encarecidamente que a sua mira acerte, de uma vez por todas, algum aspirante a namorado com valores definidos (o corpo também pode ser, que mal não faz), inteligência suficiente para manter um diálogo interessante por algumas horas, atencioso mas não grudento, que trabalhe não mais que oito horas diárias, e que, acima de tudo, não venha com aquele opcional “casado ou comprometido” no pacote. Claro, um rostinho bonito também não é pedir demais. Aproveitando, caro Cupido, peço que o senhor capriche na dose de romantismo da flecha (pode encher até os tubos tá?), porque a prática me parece estar em extinção. Aproveite as chuvaradas intermináveis dos dias de inverno no paralelo 30, e desça romantismo aos cântaros. Casais satisfeitos e menos trabalho no Olimpo. Não é uma boa pedida? Por fim, espero que volte logo à ativa, agitando esse carcás empoeirado aí nas costas e mandando ver nas flechadas. Mas, por favor, não mande mais castigos, combinado? Desses chega. Se eu lhe devia alguma coisa, penso já estar quites depois do último Carnaval, quando as suas flechinhas acertaram, acredito que por engano, aquele sujeito sem graça, sem grana, sem conversa, sem literalmente nada de atrativos, e que me declarou amor eterno num quiosque de praia, entre milhos, caipirinhas e tigelas de açaí. Por sorte o meu guarda-sol era grande o suficiente para eu desaparecer da orla em segundos. Saudações terrenas caro Cupido. Fico no aguardo de suas providências. P. S.: Só para avisar... Daqui a algus dias vai rolar uma festa, não daquelas estranhas e com gente esquisita, como na letra do Renato Russo, mas uma festa legal na casa de uma amiga que, bem lembrado, também está na sua lista de solicitações pendentes. Assim, apareça por lá Cupidinho amigo, com o arco em punho e a mira apurada, e, por favor, não custa pedir de novo, não me mande bomba desta vez!".

*Atendendo a pedidos, aí está o texto do Cupido... Em tempo: qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!

...


Edwin McCain tem lindas músicas. Mas esta, hoje, vai me trazer bons sonhos. Doces como um beijo roubado. Daqueles que, mesmo timidamente oferecidos, encantam qualquer mulher.


"The strands in your eyes/Os filamentos em seus olhos
That color them wonderful/Que os tornam maravilhosos
Stop me and steal my breath/Interrompem-me e roubam minha respiração
Tell me that we belong together/Diga-me que pertencemos um ao outro
I'll be captivated/Eu serei cativado
I'll hang from your lips/Ficarei preso aos seus lábios."


(I'll be)

Soninho chegando nesta noite chuvosa... meawww...

Cada um com os seus



"O problema é que você não tem problema". Ouvi isso de um amigo muito querido na semana passada. Caramba, essa afirmação me rendeu noites de divagações perigosas. Se a intenção era fazer um elogio, acabou comigo. É lógico que eu tenho problemas. Todo mundo os tem. Da faxineira do meu prédio ao Bill Gates. 

Problemas existem, mas eles só serão problemas para os outros se você resolve incluir quem não precisa deles no meio da história. Somente por isso, amigo, aos teus olhos, eu não tenho problemas.

Domingo cinza de inverno? Lindo.


Domingo de chuva na Porto Alegre de um inverno que já não se faz tão forte como os de antigamente, porém, para mim, que é sempre belo. Não prefiro verão a inverno, ou outono a primavera. Cada estação do ano, com as suas delícias peculiares, faz-me feliz. Aprendi que a beleza das coisas não está na sua forma, mas em como nós as vemos com os olhos da alma. Tente, num dia como o de hoje, em vez de reclamar do tempo chuvoso e ficar assistindo aos programas repetitivos e sem-sentido da televisão, sair de casa, nem que seja para dar uma espiada pela janela, e olhar as coisas como se precisassem, cada uma delas, de um poema para existir. Crie frases bonitas com a chuva, com o frio, com a falta de um amor, com o choro, com a saudade. Enfim, com tudo aquilo que parece incomodar. Aposto que até o cinza do céu vai te seduzir encantadoramente e o domingo, antes chato, pode até se transformar em um dia lindo.

Em tempo, um pouquinho de Titãs: "A gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte."

eu, como sempre, ronronando pelas tardes de domingo...