...


Eu sou desatenta para muitas coisas. Inevitável. Minha parte felina, vez que outra, falha. E que bom, porque que chato seria ter de estar atenta a tudo, em todas as horas do dia. Mas algumas coisas, pessoas, lugares me atraem o olhar, quando não todos os outros sentidos juntos. Bom, daí, fim da história. Eu não sossego até sentir tudo, de tudo, o que me atrai. Bah, e alguém já percebeu que Porto Alegre tem girassóis espalhados pelos quatro cantos da cidade? Calma, não tenho nada contra as gérberas gigantes lindas mais que lindas, que de épocas em épocas resolvem florir, mas, ei, eu preciso, todos os dias, ver girassóis sorrindo por aí? Antigamente era outro o mês dos girassóis. O que eles estão fazendo no [meu] verão? Das compras no mercado ao passeio de domingo no parque, lá estão eles. E, com eles, lembranças de outros tempos. Tempos esses que deveriam ficar no seu tempo. Passado. Sei, sem paranóias, girassóis não perseguem ninguém. Desvia o olhar e pronto, Daniele. Sem chance. Entre uma cuia e outra de mate, meus olhos miravam hoje baldinhos e baldinhos cheios deles, daquele jeito, felizes como só os girassóis conseguem ser, à venda em quase todas as bancas do brique. Deve haver alguma mensagem subliminar nisso tudo. Mas, tá, vou fazer de conta que é só coincidência. Daqui a pouco alguma outra flor há de tomar o lugar dos girassóis. E que não demore. Não dá para viver rodeada de girassóis sem poder ter um jardim deles em casa. Que venham, e logo, as violetas de um belo abril! De um belo abril...


Em tempo: um girassol, feito por mim às pressas, no paint do computador, não poderia resultar em grandes coisas. Registrada em público a minha total ausência de habilidade com desenhos. Mas deu vontade de fazer uma arte [no sentido bem arteiro da palavra], e eu fiz. ;)

Manifesto (contrário) ao amor



Chega de falar sobre amor. Amar torna as pessoas ridículas. E eu sou uma delas. Quem, se não eu, vai ficar em um encantamento inacabável só de olhar aquelas flores lindas que estão florindo em uma rua dessas que eram só para ser ruas? Ruas não têm nada de romântico. São de concreto. E fim. Desenhar corações no céu com as nuvens? Olha bem... Uma mulher de trinta anos. Balzac não escreveu sobre isso. E nem poderia. As balzaquianas não são essas formas com forma de alma, bonitas, leves, amantes do amor. Por favor, alguém poderia apagar a lua? E as estrelas também? Contar estrelas e ficar esperando que aquela cadente apareça só para pedir um beijo roubado é muito infantil. E, hoje em dia, ser infantil é coisa feia, que não enobrece. Mais valem olhos que não choram, mãos que não se tocam e se trocam. A moda é o amor fácil, desses de noite de festa, perto de um copo de cerveja, e que terminam em dois dias. Amor, esse amor dos meus, é uma palhaçada. Só pode ser. Sinto até o meu nariz como um daqueles de mentira, fazendo cena, só para os outros rirem. Esse amor lírico da bossa-nova, do samba enredo que enreda pernas, braços e que enlaça as almas, deve ter ser perdido em meio ao prepotente caos organizado de hoje em dia. Sim, porque quem, além de mim, vai acreditar em um amor desses? Eu, sinceramente, gostaria que os meus dias não fossem tão alegres, e que eu não visse em cada flor uma cor, um sentido, e sim só o desenho de uma flor. O contorno deve ser mais importante que do que aquilo que eu vejo, mas os meus olhos insistem em ver essas coisas que os outros não vêem. Ora, muitas pessoas vêem flores, e passam por elas sem notar. Será que elas se mostram mais bonitas para mim? Peço, se for possível, que me tirem as cores delas a partir de hoje. E levem embora o azul do céu, esse calor do sol, o orvalho das manhãs em margaridas, e até as pedras das calçadas. Essas pedras pequenas, e que fazem desenhos de sonhos aos meus olhos. Viu? Até as pedras me fazem ser toda feita desse sentimentalismo barato, que não ganha nada em troca. Queria, por um instante, a ausência de sons, de tons, de tudo. Queria, hoje, poder ter a ausência de mim.

**********

Um dos meus domingos que resultou nisto. E é isso. Nada mais. Que comece a semana. Que termine o mês. E que eu aprenda a (des)amar.

"Nadie esta a salvo de la locura..."

As rosas eram as flores consagradas à deusa Afrodite, responsável
pela denominada loucura amorosa.

Conversava com um amigo, hoje, sobre a loucura [falta ou excesso de]. Para quem acabou, há pouco menos de um mês, de ler Ecce Homo, obra de Nietzsche para muitos desqualificada pela suposta insensatez dos textos, toda a loucura parece normal. Nessas alturas do campeonato, ou das loucuras da minha vida, os superegos que me desculpem, mas ser parte impulso, instinto e desejo é fundamental.

Em tempo: Agradecida, de alma, pelo cd que ganhei na semana passada: Bersuit Vergarabat. Viciante! Provocante, como a mais doce das loucuras. Curte um pouco aqui: http://www.youtube.com/watch?v=O0mI78QH0YQ&feature=related.