De Antônia


Antônia é uma menina às avessas. Não gosta de coisas caras. É avessa a contratos. Não faz pactos. Não compra carros caros, e não vai a hotéis cinco estrelas. Prefere beijos demorados a breves apertos de mão. Antônia é uma menina distraída. E gosta do Leminski e do Ramil. Antônia é um amor de menina. Gosta de doce de leite e de banho de chuva. Hoje em dia todo mundo tem medo de chuva porque pode virar temporal e não come doce de leite porque engorda. Mas Antônia faz tudo às avessas. E não gosta de azul, como quase  o mundo inteiro gosta. Ela gosta de todas as cores juntas. Acorda cedo e colhe flores, afaga o gato, depois arruma a casa. Antônia trabalha o dia todo. Estuda de noite. E sai com as amigas no final de semana. Mas nem todos os finais de semana, porque ela também gosta de ficar sozinha. Antônia me disse, uma vez, que ninguém é sozinho, e que as pessoas só estão sozinhas por um tempo, e porque talvez precisem.  E que o verbo estar a gente pode conjugar de outra maneira. E que, se a gente quiser, pode até trocar de verbo. Antônia fala uma porção de coisas certas. E eu acho que ela brinca com as palavras de um jeito bonito. Mesmo as notícias tristes, bem tristes, Antônia conta bonito. Eu queria ser Antônia. Ser menos eu e mais Antônia. Mas Antônia é feita às avessas. E eu preciso ser correta. Pelo menos daqui em diante. Me disseram que eu preciso ser correta. O avesso de Antônia. Sem verso. Correta.      

Ania Dąbrowska



a loirinha de voz doce é Ania Dabrowska, cantora polonesa que mistura jazz, soul e pop numa combinação gostosa de ouvir.

o problema é que eu não sei vírgula de polonês e daí o negócio complica. mas, como hoje o Google dá uma mão em tudo, eu fui lá traduzir a letra da música do vídeo aí de cima e gostei bastante.

o título, musisz wierzyć [você precisa acreditar], e as bonitas imagens facilitam entender a letra.

vai dizer que não é perfeito para ouvir em casa, junto do amor [ou pensando nele], numa noite de inverno?

aproveitem! e acreditem :)

silence


[ das
 pausas
onde a palavra não encontra refúgio
se faz o silêncio ]